segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

21 de dezembro de 2009

É meu amigo, meu irmão... quem me dera poder dirigir algumas palavras a você sabendo que você as ouviria...

Hoje era para ser teu aniversário. Era para estarmos comemorando, bebendo umas, conversando sobre empreendedorismo e teorias conspiratórias. Um churrasco, nada demais.

Hoje me lembro que no dia do meu aniversário você não me ligou. E eu nem te liguei prá saber o porquê. Prá saber se você tinha melhorado. Se estava se cuidando. E você viveu só mais dois dias, só mais dois.

É duro prá mim pensar o quanto deixei de aproveitar você por aqui. Quando você morava aqui em casa e eu ficava o tempo todo trabalhando, correndo, quase sem tempo prá gente ficar junto. Por que a gente vive como se fôssemos durar para sempre? Pior, como se aqueles que amamos fossem durar para sempre?

A verdade é que é e será sempre difícil imaginar não poder estar mais junto de você meu irmão. Não pelos laços de sangue, mas pelo que você era, pelo quanto eu te amava. Você era um irmão mais que especial. Meu maior pesar é não ter percebido isso tão claramente antes...

Mas aqui estou. Não resta nada a fazer. Todas as chances se foram, tudo já passou. Não há como voltar atrás. E nada mais será como antes.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Retrospectiva

Este ano olhar para trás não tem sido fácil. Um ano para realmente marcar minha vida, como talvez nenhum outro ano conseguiu fazer. Ano de morte, ano de vida. O ano de 2009 é um ano a ser esquecido? Impossível.

Ainda não consigo acreditar, muito menos "engolir" este 2009. Meu primeiro sentimento ao pensar sobre retrospectiva é voltar atrás, desfazer ou fazer de novo. Eu teria me preocupado mais, estado ao lado de quem eu também queria estar. E se, mesmo assim, eu não pudesse impedir a morte, eu teria apenas me despedido.

Que ironia são estes "planos" de Deus, se é que não são apenas as conseqüências de nós mesmos que imputamos como culpa ao nosso Criador. A morte seguida da vida. Como se o objetivo fosse não permitir apagar este 2009, esquecê-lo para sempre e tentar viver como se nada tivesse acontecido. Mas aconteceu. E tudo que aconteceu aqui, este ano, será, feliz e infelizmente, eterno em minha vida.

Quando me sento e me aquieto, me lembro sempre da angústia infinita de não podermos voltar atrás e de que não se desfaz a morte. Acho que não posso mais dizer que "estou bem", mas ainda assim digo isso quando me perguntam: "Você está bem?". É como se a pergunta possuísse um "apesar de" em sua sentença. Não dá prá estar bem. Não dá prá fingir que nunca existiu e que não faz e sempre fará falta.

Deste 2009, levo comigo, involuntariamente, alguns momentos, alguns flashes que sempre me são remetidos à mente. Por que alguns momentos, algumas palavras, algumas dores nos marcam tão fortemente?

Mas sei que 2009, em toda sua ironia, me trouxe a maior alegria que tive nos últimos anos, e que só não foi maior por que foi contraposta à ausência, saudade, indignação.

Enfim, nem sei como me sinto hoje. Sinto saudades do meu filho e quero ir correndo amanhã para encontrá-lo e abraçá-lo e, com ele, minha amada esposa. Esse é meu sentimento durante o dia. Mas quando ponho minha cabeça no travesseiro ficam só as angústias.

Talvez 2009 tenha servido para isso, me transformar em dois, na dualidade entre a lágrima e o sorriso. Tornar eterno um ano que eu gostaria de esquecer.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Contra-posição ao Argumento Evolucionista contra o Naturalismo

Alvin Plantinga criou o chamado Argumento Evolucionista contra o Naturalismo com o objetivo de tornar irracional a crença no Naturalismo Evolucionista. O Naturalismo Evolucionista é a base para o "neo-ateísmo" e para as fortes correntes ateístas guiadas por Richard Dawkins.

Descrições do argumento de Plantinga:
http://www.apologia.com.br/?p=116

Não sou ateu. Pelo contrário, sou teísta cristão. No entanto, não posso deixar de confrontar este argumento. Segue minha contra-argumentação:

"
Imagine um ser só, um único indivíduo. Imagine ainda que este indivíduo surgiu a partir de um processo evolutivo conforme descrito por Darwin. Segundo o argumento de Plantinga, as crenças deste indivíduo não são, necessariamente, verdadeiras. Mas devem ser adaptativas, visto que esta é a característica desejável para a evolução deste indivíduo. Ou seja, o nosso indivíduo tem um conjunto de X crenças onde, suponhamos, uma parte delas seja verdadeira.

Mas imaginemos agora um outro indivíduo, da mesma espécie. Este outro indivíduo pode possuir um outro conjunto de crenças onde outra parte é verdadeira. As crenças deste outro indivíduo podem ser diferentes das crenças do primeiro indivíduo, visto que a evolução não necessita e nem garante um conjunto único de crenças entre indivíduos diferentes.

Nesta espécie existe uma habilidade muito relevante à adaptação, que é a comunicação. Quando estes dois indivíduos se comunicam, fica claro o atrito entre as crenças, visto que, evolutivamente, as crenças deles não precisam ser verdadeiras e têm maior probabilidade de serem diferentes do que iguais. Neste sentido, algumas crenças do primeiro indivíduo podem contrapor algumas crenças do segundo indivíduo.

Ao se comunicarem, os dois indivíduos podem então compreender as crenças do outro indivíduo e, como ambos são seres com alta capacidade adaptativa, suas crenças podem ser modificadas. É óbvio que as crenças dos dois indivíduos após a comunicação e adaptação individual não são necessariamente verdadeiras, mas neste caso elas têm maior probabilidade de serem verdadeiras. Isso por que é mais provável que o indivíduo com a crença verdadeira convença o indivíduo com a crença falsa, pois crenças falsas podem ser logicamente refutadas, enquanto não se pode refutar, através da lógica, crenças verdadeiras. Quanto maior a interação entre diferentes indivíduos, maior a probabilidade das crenças de um determinado indivíduo serem verdadeiras.

Extrapolando esta comunicação entre indivíduos para uma comunidade suficientemente grande, este processo tende a criar um conjunto de crenças verdadeiras que se perpetua na sociedade, extrapolando os limites individuais.

Claro que este processo não é exato e podemos perceber, em nossa sociedade, a formação de grandes conjuntos de crenças que se perpetuam em grupos de indivíduos. No entanto, estes grupos tendem a ter forte embasamento lógico (ou seja, não são facilmente refutados), mesmo que não sejam verdadeiros. Em vez de um único conjunto de crenças, temos vários conjuntos de crenças de forte embasamento lógico sobrevivendo e, de certa forma, competindo entre si.
"

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Meu irmão, meu irmão...

Quanta coisa faltou ser dita, não? Relacionamentos tem dessas coisas, nem tudo é dito ou fica explícito. Nos damos sempre o benefício da dúvida e é sempre muito difícil definirmos a nós mesmos.

Tem sido difícil não pensar em você cada vez em que coloco a cabeça no meu travesseiro. O dia me dá a agitação necessária para eu caminhar. A noite me dá o silêncio que me permite lembrá-lo. As perguntas já se perderam. Eu nem mais as faço. Já me conformei com a ausência de respostas. E nenhuma resposta será satisfatória. Fico somente a aguardar que venha o consolo.

Mas tenho que te dizer que algumas das minhas mais plenas convicções foram simplesmente ao chão. Ruínas ou feridas expostas?, não sei. Depois da oração a chuva não cessa. E na manhã seguinte não há o que sorrir. E assim continua...

Sempre foi muito fácil acreditar em tudo que acreditei. Sempre é fácil ser pragmático com a dor, até sentí-la de fato. E se há algo que verdadeiramente aprendi/reconheci neste último mês é que tudo que vivi até então era "brincadeira de criança". Todos os tropeços, erros e feridas não passaram de "arranhões nos joelhos". Nada sério. Nada de mais. A vida é difícil demais até que ela seja verdadeiramente difícil.

E acreditar, adorar e louvar a Deus sempre foi fácil, muito fácil. Sempre foi fácil me entregar "sinceramente" a Ele. Mas não podemos ser sinceros até que realmente estejamos entregues, rendidos, com o coração destruído. E até que percebamos que não existe solução mágica, que nem tudo coopera para o nosso bem... estar. Que a tempestade continua. E que se quisermos louvá-lo, teremos que fazê-lo cercados por ela.

Ainda espero pelas minhas respostas, mas não sei se elas virão um dia... não sei mais...

domingo, 25 de outubro de 2009

Dezoito dias...

Hoje fazem dezoito dias que meu irmão, meu amado irmão Guilherme faleceu. Tantas coisas já me passaram pela cabeça neste tempo... às vezes parece que foi ontem, às vezes parece uma eternidade... À minha memória sempre vêm os angustiantes momentos em que meu pai me deu a mais terrível de todas as notícias... Perdemos nosso Gui... Perdemos nosso Gui...

Nesse dia infeliz, eu acho que aprendi um pouco do significado da palavra "desespero". A morte não dá esperanças... a morte é dura, implacável... irrevogável, em nossos sentidos... Simplesmente des-espero...

Eu nunca poderia imaginar quão grande seria a dor. Nunca poderia imaginar o vazio que ficaria. Nunca poderia imaginar tão grande angústia, tão grande aperto no peito. Nem eu sabia o quanto eu o amava. E muito me dói não saber se ele sabia.

Todas as noites, sonho que acordo de um pesadelo, como se fosse simples assim. Todas as noites pesadelos... nenhum deles muito pior do que a realidade para mim nestes últimos dias. Eu queria poder tê-lo abraçado mais uma única vez. Queria tê-lo dito o quanto o amo. Queria que ele soubesse disso, prá sempre. Queria ter aproveitado melhor, muito melhor, cada minuto. Queria ter dado muito mais atenção. Queria ter me preocupado muito mais. Queria ter ligado mais, nem que fosse só prá falar bobeiras.

Hoje, o máximo que posso fazer é visitá-lo em um cemitério e tentar cuidar dele agora como eu gostaria de ter cuidado dele antes. Mas sei que ele não está lá realmente. Sei que, prá ele, há só esperança. Sei que os planos dele agora são outros. Na verdade ainda não consigo pensar assim, mas tenho que pensar... tenho que tentar...

Prá mim resta somente sentir esse vazio infinito. Talvez um dia eu consiga realmente aceitar e, pelo menos, conviver com isso. Mas ainda não dá.

Mas a vida se renova. E talvez a nova vida que já está chegando consiga me dar novamente esperança...

domingo, 27 de setembro de 2009

'Lula é o político mais popular da terra', diz Newsweek

A revista Newsweek, revista Norte Americana, publicou no último dia 23 de setembro de 2009 uma matéria onde aponta Lula como 'o político mais popular da Terra'. Mas, quer saber?, cansei dessa história de ter um astro pop com presidente do meu país. Lula é realmente muito popular. Assim como Didi, Xuxa, Pelé, e quem sabe, Michael Jackson. Quem são os rivais de Lula em popularidade? Quem sabe Hugo Chávez?

Bom eu ficaria muito mais feliz se Lula fosse, honestamente, IMPOPULAR!!! Existem coisas impopulares que precisam ser feitas e ele, simplesmente, se esquivou delas. Ser popular, fazer comícios sem dar entrevistas... isso nem é tão difícil... vários artistas da Globo fazem isso com maestria semelhante à do Lula.

O difícil é enfrentar o desejo popular por "pão e circo" e tomar as ações necessárias para garantir pelo menos "um" futuro para esse país. Mas parece que isso ou não é possível ou simplesmente não faz parte dos desejos mais íntimos de nosso presidente. Existem duas formas de se eternizar: populismo ou trabalho. Parece que o Lula escolheu a primeira. E o povo brasileiro também.

Enfim, o que temos aí é isso: um presidente popular! Tá bom, já foi, já deu o suficiente...

Agora eu quero um presidente "impopular"!!! Que faça o que tenha que ser feito independentemente de quem vai ficar triste com isso. Independentemente dos índices de aprovação. Que saiba, veja e se lembre do que fez e do que não fez. E que não odeie os não cegos, não surdos ou não idiotas.