Ainda não consigo acreditar, muito menos "engolir" este 2009. Meu primeiro sentimento ao pensar sobre retrospectiva é voltar atrás, desfazer ou fazer de novo. Eu teria me preocupado mais, estado ao lado de quem eu também queria estar. E se, mesmo assim, eu não pudesse impedir a morte, eu teria apenas me despedido.
Que ironia são estes "planos" de Deus, se é que não são apenas as conseqüências de nós mesmos que imputamos como culpa ao nosso Criador. A morte seguida da vida. Como se o objetivo fosse não permitir apagar este 2009, esquecê-lo para sempre e tentar viver como se nada tivesse acontecido. Mas aconteceu. E tudo que aconteceu aqui, este ano, será, feliz e infelizmente, eterno em minha vida.
Quando me sento e me aquieto, me lembro sempre da angústia infinita de não podermos voltar atrás e de que não se desfaz a morte. Acho que não posso mais dizer que "estou bem", mas ainda assim digo isso quando me perguntam: "Você está bem?". É como se a pergunta possuísse um "apesar de" em sua sentença. Não dá prá estar bem. Não dá prá fingir que nunca existiu e que não faz e sempre fará falta.
Deste 2009, levo comigo, involuntariamente, alguns momentos, alguns flashes que sempre me são remetidos à mente. Por que alguns momentos, algumas palavras, algumas dores nos marcam tão fortemente?
Mas sei que 2009, em toda sua ironia, me trouxe a maior alegria que tive nos últimos anos, e que só não foi maior por que foi contraposta à ausência, saudade, indignação.
Enfim, nem sei como me sinto hoje. Sinto saudades do meu filho e quero ir correndo amanhã para encontrá-lo e abraçá-lo e, com ele, minha amada esposa. Esse é meu sentimento durante o dia. Mas quando ponho minha cabeça no travesseiro ficam só as angústias.
Talvez 2009 tenha servido para isso, me transformar em dois, na dualidade entre a lágrima e o sorriso. Tornar eterno um ano que eu gostaria de esquecer.
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