Num primeiro momento a resposta parece simples, para ser pai é preciso somente ser "homem". Neste caso, não quero dizer homem no sentido XY cromossomático (apesar de esse ser um requisito muito relevante), mas homem no sentido social e moral que esta palavra pode assumir.
Mas aí é que a coisa se complica, pois é bem difícil definir o que é ser homem. Afinal, o que é ser homem? Ou melhor, quando se deixa de ser menino, garoto, criança, adolescente e nos tornamos homens? É claro, que neste caso, esta mesma afirmação pode ser feita para as meninas que se tornam mulheres. Afinal de contas, estamos tratando de maturidade! Ou seja, o que é ser uma pessoa madura? O que é ser um Homem ou Mulher, no sentido de maturidade social e moral?
Bom, maturidade, como pais, envolve um conjunto de fatores mais difíceis ainda do a simples maturidade. Quando devemos repreender? Quando devemos dar? Quando devemos negar? Quando devemos punir? Quando devemos proteger?
São perguntas que são difíceis de se responder de forma genérica. Devemos então responder caso-a-caso?
Minha primeira e inexperiente conclusão, baseada exclusivamente na observação e no programa Supernanny, é de que a maturidade envolve estratégia. Resolver "caso-a-caso" é exatamente a ausência de estratégia. A estratégia é que define como devemos agir em cada caso. Sem uma estratégia podemos nos tornar incoerentes na educação de nossos filhos, incoerentes como pais, incoerentes como homens e mulheres. Aliás, um dos princípios da maturidade é a coerência, não? Enfim, precisamos ser maduros e, para isso, coerentes. Portanto, precisamos de uma estratégia (explícita ou não).
Mais uma vez, minha inexperiente visão de mundo me aponta para uma estratégia de educação que possui os seguintes pilares:
1) Amor
Não há como criar filhos sem amor. Não há como existir família sem amor. Não há como viver sem amor. Partindo deste princípio é preciso entender e aprender com o próprio Deus de Amor que amor não significa subserviência. Amor significa ação. E ação que nem sempre se relaciona ao bem imediato. Por exemplo, podemos acreditar que estamos amando nossos filhos ao protegê-los do mundo. Porém, não podemos protegê-los do mundo para sempre. Os extremos desta proteção não são, certamente, amor. Mas amar é proteger de forma a permitir que a criança cresça e consiga se proteger do mundo quando você não for mais capaz de fazê-lo.
2) Coerência
Como já citado antes, coerência é a excência da maturidade. Ser coerente significa tomar decisões e realizar ações dentro de padrões constantes e identificáveis. Isso envolve tudo na vida, mas na criação de filhos isso é essencial. Ser coerente permite que os filhos compreendam o que deles se espera. A coerência dos pais ensina aos filhos como tomar decisões, como saber o que é certo e o que é errado, quais são seus limites, etc.
Um dos principais desafios da coerência é que ela tem que ser aplicada de forma única ao pai e à mãe. Ou seja, pai e mãe precisam ser coerentes entre si na educação de seus filhos. Essa é a tarefa mais difícil, penso eu, na criação de filhos. E pior, a coerência dos pais não pode ou não deveria ser afetada pelos demais membros da família (leia-se avós).
3) Punição e Perdão
Estes dois itens, punição e perdão, estão presentes em minha estratégia basicamente porque eles estão presentes na vida. Podemos ser punidos por nossas ações, mas também podemos ser perdoados. E precisamos entender e compreender a punição, assim como o perdão e as suas premissas e consequências.
Quando um filho desobedece a seu pai ele deve ser punido? Se não, como ele aprenderá sobre as severas punições que a vida pode nos infligir? Se sim, como devemos punir nossos filhos? E quando devemos perdoar em vez de punir?
4) Consequências
Em geral, confunde-se punição e consequência. A consequência está diretamente relacionada ao ato efetivamente realizado. A punição está relacionada à desobediência (aos pais, às leis, à moral, etc). Podemos perdoar nossos filhos, evitando sua punição, mas não podemos privá-los das consequências de seus atos, pois o mundo não os privará. Claro que podemos protegê-los, minimizando as consequências de acordo com sua capacidade de perceber o mundo. Mas privá-los das consequências de seus atos é um dos maiores malefícios que podemos causar aos nossos filhos.
Um exemplo simples. Se digo a meu filho para não jogar bola dentro de casa, e ele, desobedecendo-me, acaba quebrando a televisão, devo tomar algumas ações, correto? Posso puní-lo ou perdoá-lo (se ele se arrepender, claro). Mas as consequências da ação dele eu não posso esconder, a televisão continua quebrada. E para podermos assistir televisão novamente será preciso consertá-la ou comprar outra. E para isso, pelo menos no Brasil e em qualquer outro país capitalista, será necessário gastar dinheiro. Essa é a efetiva consequência do ato realizado. Essa consequência precisa ser vivenciada pela criança. Talvez não financeiramente, mas vivenciada de forma proporcional aos danos causados.
Bom, é claro que a inexperiência pode nos dar a ilusão de possuirmos uma estratégia que possa dar certo. Mas quem sabe esta seja abrangente o bastante e confiável o bastante para ser aplicada?