sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Contra-posição ao Argumento Evolucionista contra o Naturalismo

Alvin Plantinga criou o chamado Argumento Evolucionista contra o Naturalismo com o objetivo de tornar irracional a crença no Naturalismo Evolucionista. O Naturalismo Evolucionista é a base para o "neo-ateísmo" e para as fortes correntes ateístas guiadas por Richard Dawkins.

Descrições do argumento de Plantinga:
http://www.apologia.com.br/?p=116

Não sou ateu. Pelo contrário, sou teísta cristão. No entanto, não posso deixar de confrontar este argumento. Segue minha contra-argumentação:

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Imagine um ser só, um único indivíduo. Imagine ainda que este indivíduo surgiu a partir de um processo evolutivo conforme descrito por Darwin. Segundo o argumento de Plantinga, as crenças deste indivíduo não são, necessariamente, verdadeiras. Mas devem ser adaptativas, visto que esta é a característica desejável para a evolução deste indivíduo. Ou seja, o nosso indivíduo tem um conjunto de X crenças onde, suponhamos, uma parte delas seja verdadeira.

Mas imaginemos agora um outro indivíduo, da mesma espécie. Este outro indivíduo pode possuir um outro conjunto de crenças onde outra parte é verdadeira. As crenças deste outro indivíduo podem ser diferentes das crenças do primeiro indivíduo, visto que a evolução não necessita e nem garante um conjunto único de crenças entre indivíduos diferentes.

Nesta espécie existe uma habilidade muito relevante à adaptação, que é a comunicação. Quando estes dois indivíduos se comunicam, fica claro o atrito entre as crenças, visto que, evolutivamente, as crenças deles não precisam ser verdadeiras e têm maior probabilidade de serem diferentes do que iguais. Neste sentido, algumas crenças do primeiro indivíduo podem contrapor algumas crenças do segundo indivíduo.

Ao se comunicarem, os dois indivíduos podem então compreender as crenças do outro indivíduo e, como ambos são seres com alta capacidade adaptativa, suas crenças podem ser modificadas. É óbvio que as crenças dos dois indivíduos após a comunicação e adaptação individual não são necessariamente verdadeiras, mas neste caso elas têm maior probabilidade de serem verdadeiras. Isso por que é mais provável que o indivíduo com a crença verdadeira convença o indivíduo com a crença falsa, pois crenças falsas podem ser logicamente refutadas, enquanto não se pode refutar, através da lógica, crenças verdadeiras. Quanto maior a interação entre diferentes indivíduos, maior a probabilidade das crenças de um determinado indivíduo serem verdadeiras.

Extrapolando esta comunicação entre indivíduos para uma comunidade suficientemente grande, este processo tende a criar um conjunto de crenças verdadeiras que se perpetua na sociedade, extrapolando os limites individuais.

Claro que este processo não é exato e podemos perceber, em nossa sociedade, a formação de grandes conjuntos de crenças que se perpetuam em grupos de indivíduos. No entanto, estes grupos tendem a ter forte embasamento lógico (ou seja, não são facilmente refutados), mesmo que não sejam verdadeiros. Em vez de um único conjunto de crenças, temos vários conjuntos de crenças de forte embasamento lógico sobrevivendo e, de certa forma, competindo entre si.
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Um comentário:

Kelvin disse...

"Ao se comunicarem, os dois indivíduos podem então compreender as crenças do outro indivíduo e, como ambos são seres com alta capacidade adaptativa, suas crenças podem ser modificadas. É óbvio que as crenças dos dois indivíduos após a comunicação e adaptação individual não são necessariamente verdadeiras, mas neste caso elas têm maior probabilidade de serem verdadeiras. Isso por que é mais provável que o indivíduo com a crença verdadeira convença o indivíduo com a crença falsa, pois crenças falsas podem ser logicamente refutadas, enquanto não se pode refutar, através da lógica, crenças verdadeiras. Quanto maior a interação entre diferentes indivíduos, maior a probabilidade das crenças de um determinado indivíduo serem verdadeiras."

Essa contraposição se baseia nos seguintes pressupostos:
1. Pressupõe que não ocorre um desvirtuamento ainda maior do conhecimento quando os dois indivíduos do exemplo se comunicam.
2.Foi dito que as crenças podem ser modificadas pela análise lógica destas. Porém, isso pressupõe que os dois indivíduos tenham apreendido uma lógica verdadeira, em vez de uma lógica meramente pragmática no sentido evolutivo-adaptativo.
3. Pressupõe que num universo naturalista seja possível apreender idéias universais apenas a partir de nossa percepção empírica de substâncias individuais, a ponto de ser possível montar raciocínios inteiros sem base na experiência (ninguém nunca viu uma espécie ou classe, apenas particulares), exceto pelo fraco apoio indutivo. (Entre a experiência sensível e a formação de universais, há uma lacuna que o naturalismo não explica.)
Esses três pressupostos não se sustentam, visto que todos são petições de princípio.