Quanta coisa faltou ser dita, não? Relacionamentos tem dessas coisas, nem tudo é dito ou fica explícito. Nos damos sempre o benefício da dúvida e é sempre muito difícil definirmos a nós mesmos.
Tem sido difícil não pensar em você cada vez em que coloco a cabeça no meu travesseiro. O dia me dá a agitação necessária para eu caminhar. A noite me dá o silêncio que me permite lembrá-lo. As perguntas já se perderam. Eu nem mais as faço. Já me conformei com a ausência de respostas. E nenhuma resposta será satisfatória. Fico somente a aguardar que venha o consolo.
Mas tenho que te dizer que algumas das minhas mais plenas convicções foram simplesmente ao chão. Ruínas ou feridas expostas?, não sei. Depois da oração a chuva não cessa. E na manhã seguinte não há o que sorrir. E assim continua...
Sempre foi muito fácil acreditar em tudo que acreditei. Sempre é fácil ser pragmático com a dor, até sentí-la de fato. E se há algo que verdadeiramente aprendi/reconheci neste último mês é que tudo que vivi até então era "brincadeira de criança". Todos os tropeços, erros e feridas não passaram de "arranhões nos joelhos". Nada sério. Nada de mais. A vida é difícil demais até que ela seja verdadeiramente difícil.
E acreditar, adorar e louvar a Deus sempre foi fácil, muito fácil. Sempre foi fácil me entregar "sinceramente" a Ele. Mas não podemos ser sinceros até que realmente estejamos entregues, rendidos, com o coração destruído. E até que percebamos que não existe solução mágica, que nem tudo coopera para o nosso bem... estar. Que a tempestade continua. E que se quisermos louvá-lo, teremos que fazê-lo cercados por ela.
Ainda espero pelas minhas respostas, mas não sei se elas virão um dia... não sei mais...
Um comentário:
Já faz mais de três anos que busco respostas que possam me convencer de que tudo aconteceu por alguma razão perfeitamente explicável e compreensível. Mas apenas recebo Seu consolo.
Muitas vezes agi como uma menininha mimada dizendo a Meu Pai "Você é um bobo, não sabe o que é melhor para mim, estou cansada, por que?, por que?, vou embora, não quero mais falar com Você..." E sempre acabo recebendo de volta um abraço amoroso, com uma voz dizendo ao meu coração “Eu te amo, minha filha”. Sempre que isso acontece, me sinto uma boba, fico envergonhada e as respostas que "tanto preciso", neste momento, deixam de ser tão importantes diante do que Deus me permite sentir sobre quem Ele é.
Mas como toda menina mimada, acabo por repetir minhas "birras" com Meu Pai, quando parece que Ele me diz não. E então, novamente, Ele me abraça e diz que me ama. Ele nunca desiste de mim. E Ele me ama. Mesmo quando me esqueço disso, e “brigo” com Ele outra vez.
Louvar a Deus sem pesar os "sim's" e "não's" que Ele me diz; sem pesar a quantidade de respostas satisfatórias que recebo dEle; sem considerar se o dia que Ele me proporcionou foi chuvoso ou ensolarado; sem questionar seus métodos para me transformar em uma pessoa melhor, mais madura; louvar Seu nome pelo que Ele é. Assim como para você, este também tem sido meu desejo a cada dia.
Me desculpe pelo comentário longo (quase um desabafo...rs), mas eu sei o que está passando, por ser algo que remete a perguntas muito semelhantes às que eu faço para Deus. E quando vi o que aconteceu com você, mais e mais perguntas eu fiz. Afinal, meu amigo, que eu amo tanto, estava sofrendo muito e isso não podia acontecer (pelo menos ao meu ver).
O importante é que, apesar de todo o sofrimento, estamos tendo a oportunidade de mudarmos nossa relação com Deus para algo mais íntimo, mais sincero, mais maduro. É difícil, mas Deus não nos abandona. Nunca.
Um grande abraço, amigo!
Dani
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