sábado, 12 de abril de 2008

Pronto para ser pai?

Será que estou pronto para ser pai? Esta é uma pergunta que tenho feito para mim mesmo recentemente. Isso, é claro, por que acredito que um dia eu serei pai, e quero estar pronto para esse dia.

Num primeiro momento a resposta parece simples, para ser pai é preciso somente ser "homem". Neste caso, não quero dizer homem no sentido XY cromossomático (apesar de esse ser um requisito muito relevante), mas homem no sentido social e moral que esta palavra pode assumir.

Mas aí é que a coisa se complica, pois é bem difícil definir o que é ser homem. Afinal, o que é ser homem? Ou melhor, quando se deixa de ser menino, garoto, criança, adolescente e nos tornamos homens? É claro, que neste caso, esta mesma afirmação pode ser feita para as meninas que se tornam mulheres. Afinal de contas, estamos tratando de maturidade! Ou seja, o que é ser uma pessoa madura? O que é ser um Homem ou Mulher, no sentido de maturidade social e moral?

Bom, maturidade, como pais, envolve um conjunto de fatores mais difíceis ainda do a simples maturidade. Quando devemos repreender? Quando devemos dar? Quando devemos negar? Quando devemos punir? Quando devemos proteger?

São perguntas que são difíceis de se responder de forma genérica. Devemos então responder caso-a-caso?

Minha primeira e inexperiente conclusão, baseada exclusivamente na observação e no programa Supernanny, é de que a maturidade envolve estratégia. Resolver "caso-a-caso" é exatamente a ausência de estratégia. A estratégia é que define como devemos agir em cada caso. Sem uma estratégia podemos nos tornar incoerentes na educação de nossos filhos, incoerentes como pais, incoerentes como homens e mulheres. Aliás, um dos princípios da maturidade é a coerência, não? Enfim, precisamos ser maduros e, para isso, coerentes. Portanto, precisamos de uma estratégia (explícita ou não).

Mais uma vez, minha inexperiente visão de mundo me aponta para uma estratégia de educação que possui os seguintes pilares:

1) Amor

Não há como criar filhos sem amor. Não há como existir família sem amor. Não há como viver sem amor. Partindo deste princípio é preciso entender e aprender com o próprio Deus de Amor que amor não significa subserviência. Amor significa ação. E ação que nem sempre se relaciona ao bem imediato. Por exemplo, podemos acreditar que estamos amando nossos filhos ao protegê-los do mundo. Porém, não podemos protegê-los do mundo para sempre. Os extremos desta proteção não são, certamente, amor. Mas amar é proteger de forma a permitir que a criança cresça e consiga se proteger do mundo quando você não for mais capaz de fazê-lo.

2) Coerência

Como já citado antes, coerência é a excência da maturidade. Ser coerente significa tomar decisões e realizar ações dentro de padrões constantes e identificáveis. Isso envolve tudo na vida, mas na criação de filhos isso é essencial. Ser coerente permite que os filhos compreendam o que deles se espera. A coerência dos pais ensina aos filhos como tomar decisões, como saber o que é certo e o que é errado, quais são seus limites, etc.

Um dos principais desafios da coerência é que ela tem que ser aplicada de forma única ao pai e à mãe. Ou seja, pai e mãe precisam ser coerentes entre si na educação de seus filhos. Essa é a tarefa mais difícil, penso eu, na criação de filhos. E pior, a coerência dos pais não pode ou não deveria ser afetada pelos demais membros da família (leia-se avós).

3) Punição e Perdão

Estes dois itens, punição e perdão, estão presentes em minha estratégia basicamente porque eles estão presentes na vida. Podemos ser punidos por nossas ações, mas também podemos ser perdoados. E precisamos entender e compreender a punição, assim como o perdão e as suas premissas e consequências.

Quando um filho desobedece a seu pai ele deve ser punido? Se não, como ele aprenderá sobre as severas punições que a vida pode nos infligir? Se sim, como devemos punir nossos filhos? E quando devemos perdoar em vez de punir?

4) Consequências

Em geral, confunde-se punição e consequência. A consequência está diretamente relacionada ao ato efetivamente realizado. A punição está relacionada à desobediência (aos pais, às leis, à moral, etc). Podemos perdoar nossos filhos, evitando sua punição, mas não podemos privá-los das consequências de seus atos, pois o mundo não os privará. Claro que podemos protegê-los, minimizando as consequências de acordo com sua capacidade de perceber o mundo. Mas privá-los das consequências de seus atos é um dos maiores malefícios que podemos causar aos nossos filhos.

Um exemplo simples. Se digo a meu filho para não jogar bola dentro de casa, e ele, desobedecendo-me, acaba quebrando a televisão, devo tomar algumas ações, correto? Posso puní-lo ou perdoá-lo (se ele se arrepender, claro). Mas as consequências da ação dele eu não posso esconder, a televisão continua quebrada. E para podermos assistir televisão novamente será preciso consertá-la ou comprar outra. E para isso, pelo menos no Brasil e em qualquer outro país capitalista, será necessário gastar dinheiro. Essa é a efetiva consequência do ato realizado. Essa consequência precisa ser vivenciada pela criança. Talvez não financeiramente, mas vivenciada de forma proporcional aos danos causados.


Bom, é claro que a inexperiência pode nos dar a ilusão de possuirmos uma estratégia que possa dar certo. Mas quem sabe esta seja abrangente o bastante e confiável o bastante para ser aplicada?

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Amor, ação e sentimento...

Amor é sentimento? Amor é ação?

Se amor é sentimento, o que é sentimento? O que e como é sentir "amor"?

Prá mim é muito engraçada esta palavra "sentimento". É uma palavra estranha porque deriva do verbo sentir, mais especificamente sentimento nada mais é do que a "capacidade para sentir" (segundo Melhoramentos). Sentir é perceber por meio de um dos sentidos, é experimentar uma sensação. E como é experimentar a sensação do amor, ou melhor, seria o amor uma sensação a ser experimentada?

Amor como uma sensação parece algo estranho, pois uma sensação é algo momentâneo, algo que vem e que passa rapidamente. Já o amor, segundo a opinião global é algo duradouro, senão eterno. Mas como pode uma sensação e um sentimento serem tão duradouros ou mesmo eternos?

Existem outros sentimentos que parecem se adequar ao conceito de sensação, como a saudade. A saudade é aquela sensação de que falta alguma coisa quando uma pessoa não está por perto. Ou então o sentimento de raiva, que é aquela sensação de que um murro na cara de uma pessoa deixaria você muito feliz. E existe, claro, o sentimento de paixão, que é aquela sensação de que aquela pessoa resolveria todos os problemas da sua vida. Sensação de alegria, tristeza, dor, desejo...

Mas e o amor? É uma sensação de que? Será que é possível definir qual é a sensação que uma pessoa tem quando ama? Se todos amam, porque ninguém consegue descrever qual é esta sensação?

É, realmente o amor é um grande mistério prá mim. Talvez o amor não seja um sentimento, mas um conjunto de sentimentos e sensações. Mas será que podemos restringir esse amor a sensações? Será que algo que dura tanto tempo é simplesmente causado por uma seqüência encadeada de sensações que não conseguimos descrever por tão complexas que são? Será que Hollywood está certo e amor é nada mais que um sentimento?

E, o mais intrigante prá mim é que, se amor é um sentimento ou um conjunto de sensações, por que o Deus de Amor (que deve ser quem mais conhece de amor no Universo) nos daria uma ordem, no imperativo: "Ame"?

Não seria então amor uma ação, na verdade a ação de amar? Agir significa realizar algo, executar, na prática. A ação está relacionada a atividade, energia, movimento. O que seria esta ação de amar? Seria mandar flores, dar um telefonema, sorrir, dar um abraço, um beijo, transar?

Mas mais complicado ficou agora. Não seria o sentimento amor que me faz agir, ou seja, amar? Ou será que o agir, ou seja, amar é que me traz todas as sensações do amor? Será que podemos restringir o amor às sensações, às ações ou mesmo a ambos?

Talvez esta seja uma possibilidade de abstrairmos o conceito que Albert Einstein nos trouxe à física. Para Einstein, um elétron é uma partícula e energia ao mesmo tempo. Será que o amor não tem essa dúbia característica? Sensação e ação. Sensação que causa ação. Ação que manifesta novas sensações.

Talvez seja isso. Um ciclo vicioso e virtuoso. Sensações causando ações e ações que causam sensações. Um ciclo que garante que o amor dure. Dessa forma, acredite, o amor depende sim de você. Só você pode interromper este ciclo ou então renová-lo com um empurrãozinho.

E como diria um grande pensador que conheço: "O amor só acaba por pouco amar" (Fábio L. Santos).

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Um só

Estava escrevendo um e-mail para meus mais íntimos amigos para divulgar meus dois blogs. Este blog em que escrevo e o blog Jovem Coração Poético (http://coracaopoetico.blogspot.com). Enquanto escrevia percebi algo inusitadamente intrigante: meus dois blogs são totalmente diferentes, parecem até escritos por pessoas diferentes.

Fiquei tentando imaginar porque uma pessoa aparentemente normal (é, eu me acho normal sim) manteria dois blogs. Não seria mais fácil ter um único blog? Eu poderia até argumentar que eles retratam dois lados da mesma moeda, ou seja, a mesma visão descrita em formatos diferentes. E sim, estaria parcialmente correto em meu argumento.

Mas ainda assim não consigo me justificar. Não consigo justificar o conteúdo de cada blog. Parecem opostos, distoantes. E no fundo eles parecem ter pouca, muito pouca relação.

Talvez existam, na verdade, dois Fábios. Um racional e objetivo, outro emotivo e reflexivo. Um seguro e claro, outro confuso e cheio de incertezas. Um vive e outro sonha. E minha maior dificuldade é entender porque há um abismo tão grande entre eles. Porque tamanha distância? O que os une e o que os separa?

Mas a vida é a mesma e, sim, vista de dois pontos de vista diferentes. O primeiro é e será sempre mais honesto naquilo que conhece. O segundo é e será sempre obscuro ao perscrutar o desconhecido. E no final tudo junta-se em uma só pessoa, com um só nome, uma só vida.