quarta-feira, 14 de abril de 2010

Casamento... será que dá certo?

A primeira coisa para fazer um casamento não dar certo é encarar o marido ou esposa como um cargo a ser preenchido. Infelizmente este é um erro comum de muitos jovens que querem muito se casar. É claro que querer se casar não é um erro em si. O problema é desejar o casamento, e não a pessoa envolvida.

Primeiro, vamos lá. O casamento não é uma entidade em si, o casamento não tem vida própria e, por isso, não é capaz de nos trazer a tão sonhada felicidade. O casamento não tem forma, não tem cheiro, não tem gosto.

O erro principal de quem foca no casamento é acreditar que o casamento pode fazer alguma coisa pela pessoa. Infelizmente, esta abordagem pode resultar em duas grandes tragédias:

1) Casamentos que terminam cedo demais (ou seja, divórcio): casamentos terminam cedo demais porque um dos envolvidos ou ambos ama o casamento e não a pessoa com a qual se relaciona, mas o amor por si próprio é maior que o amor pelo casamento ou o medo da exposição causada pelo divórcio é menor que o sentimento envolvido.

2) Casamentos que nunca terminam quando deveriam terminar: casamentos que duram formal ou informalmente, mas sem relacionamento, pois a entidade casamento é maior e mais relevante que as pessoas que se relacionam.

O que me preocupa é que mais e mais casamentos começam assim, com foco no cargo de marido ou esposa a ser preenchido. É como se as pessoas evitassem relacionamentos profundos durante toda a vida até que um dia estão "prontas" e abrem a vaga para ser preenchida por um parceiro. "Extra, extra: vaga para marido/esposa..."

Isto é perigoso, extremamente perigoso. Uma vez perguntei ao pastor da minha primeira igreja como eu saberia que eu estou pronto para me casar. De forma decidida ele me disse: "Quando você encontrar a sua esposa você saberá!"

Parece uma resposta muito simples, mas há muita informação contida nesta resposta. Ele quis me dizer que eu estaria pronto para ter um relacionamento não quando eu tivesse 28 anos, ou quando eu terminasse a faculdade, ou quando eu tivesse a minha casa, ou quando terminasse a minha psicoanálise. Estar pronto não dependeria de olhar para mim, mas de olhar para o outro.

O que me deu a certeza de que eu tinha encontrado a pessoa certa, no momento certo, foi constatar que o meu desejo mais profundo é simplesmente fazer minha esposa (na época, minha namorada) feliz. O problema de quem ama o casamento e não a pessoa é a procura pela própria felicidade. O casamento só faz sentido quando um deseja e busca ardentemente a felicidade do outro.

Para isso, o outro não pode ser qualquer um. Não pode ser uma vaga onde eu vou tentando ajeitar uma pessoa. Ah! Não deu muito certo, ajeito outra. E por aí vai... O outro tem que ser "aquela" pessoa, por quem você lutaria até a morte, por quem você, enfim, daria a sua própria vida. Lembre-se que o papel do homem no casamento segundo Deus é d'aquele que dá a vida pela sua esposa.

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